Didatismo e Qualidade na Musica de Camara

Quarteto de Cordas da Cidade de Sao Paulo - Marcelo Jaffé (viola), Betina Stegmann (1o. Violino), Nelson Rios (2o. Violino), Robert Suetholz (cello)

 

O Quarteto de Cordas da cidade de São Paulo, é hoje a melhor formação de Câmara da cidade. Um conjunto muito coeso e essa harmonia do grupo transparece nas apresentações... eles brincam, são dramáticos, sensíveis, riem ou choram em conjunto. Essa afinidade acaba compensando eventuais problemas técnicos mais superficiais, pois quando tocam o fazem com intensidade.

 

Mas o que é mais interessante no grupo é a possibilidade de unir didatismo com musica de excelente qualidade. Marcelo Jaffé, a viola do grupo, é um comunicador nato... Brinca com o publico e dá explicaçoes de uma maneira fácil e completa. A platéia de quinta no municipal era composta por pessoas que tinham pouco contato com a musica, mas, não tenho duvida, saíram dali gostando mais do que ouviram, pela forma como foram apresentadas aos compositores da noite, Haydn e Brahms.

 

Franz Joseph Haydn

 

O quarteto no. 01 de Haydn teve em seu primeiro movimento alguns pequenos problemas com Betina Stegmann, primeiro violino do quarteto. Mas a delicadeza e a graça da execução marcaram mais... No adagio, apesar de algumas falhas nos agudos do violino, os pianíssimos foram extremamente delicados... O Menuetto se transformou realmente em uma dança... os músicos pareciam querer se levantar e brincar ao som da musica, e essa entrega ao som é que faz a diferença no quarteto. Jaffé chegou a bater em sua estante enquanto se movimentava... Os pizzicatos durante o solo do violino foram muito expressivos tb. O ultimo movimento foi o mais fraco da noite, em minha opinião, belas frases do violino a principio.

 

Johannes Brahms

 

O Op. 67 de Brahms dá um belo destaque para a viola no quarteto, tornando-o instrumento central em grande parte da composição. No primeiro movimento bela frase da viola, onde ela sozinha faz uma seqüência muito rápida. Aliás a beleza dos sons de todo o quarteto é realmente marcante. O Belíssimo cello de Robert Suetholz se destaca... O segundo movimento é marcado pelas dinâmicas lindamente executadas... os sforzandos marcantes... Uma bela frase do 2º violino de Nelson rios que depois é executada pela viola com o cello ao fundo. Repleto de força emocional esse movimento se encerra com grande sentimento com o violino sustentando um agudo enquanto as demais cordas o encerram docemente. O terceiro movimento é o grande momento da viola, onde vemos toda a qualidade de Marcelo Jaffé. As demais cordas em surdina acompanham a viola. Foi muito bom o diálogo de Betina com Jaffé. As variações do quarto e ultimo movimento dão oportunidade de frases muito simpáticas de todos os instrumentos, começando novamente pela viola. O violino nesse movimento foi muito bonito, mas um pouco irregular. Trecho muito bem executado onde existe um jogo entre os violinos, o Cello e a Viola.

 

Foi uma apresentação muito boa. E gostei muito de ver o municipal lotando platéia e Balcão nobre em uma fria noite de quinta para ouvir musica de câmara de qualidade. Parabéns ao grupo que deveria ser bem mais valorizado pela administração do municipal e não perseguido e criticado... Perdemos boa parte do ano com uma discussao absurda a respeito do quarteto... Momentos muito desgastantes que não levaram a nada, a não ser para prejuízo da imagem do próprio municipal. Seria excelente se retornasse a série que o quarteto executava, se não me engano no espaço Promon. Está fazendo muita falta.

 

http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/cultura/theatromunicipal

Uma Ressurreiçao irregular com Rattle em 03/2007

Sir Simon Rattle

A Filarmônica de Berlim apresentou no dia 4 de março deste ano na Salle Pleyel de Paris uma irregular Sinfonia no. 02 de Gustav Mahler.

 

Os altos e baixos marcaram a apresentação na minha opinião. O melhor da orquestra foi o primeiro movimento, onde é possível perceber todos os detalhes que Rattle controla, as dinâmicas, as pausas... Neste primeiro movimento Rattle trabalha extremamente bem os efeitos que a musica permite. O problema está nos movimentos seguintes... A intensidade que se espera para o andante ou a ironia do Scherzo quase inexistem. Enquanto o primeiro movimento foi mais intenso os seguintes foram mais formais, quase burocráticos.

 

A mezzo-soprano Bernarda Fink tem uma linda voz bastante potente e com dinâmicas muito bonitas... provavelmente foi o melhor nessa apresentação. A participação da Soprano Dorothea Roschmann é muito pequena mas suficiente para surpreender ao ouvirmos a beleza de sua voz, mais acostumada a musica antiga e barroca.

 

O mais decepcionante foi sem sombra de duvidas o movimento final, onde participou o Coro da Radio France. Existe um anticlímax absurdo no final do movimento onde, ao invés da musica se mostrar mais brilhante ela escurece, derrubando toda a intensidade represada... Muito decepcionante!!!!

Exemplo de Superaçao

 

O Maestro Joao Carlos Martins

 

No ultimo Sábado, dia 14 de julho, pudemos compartilhar com o Maestro João Carlos Martins um pouco da sua vida e das suas experiências.

 

Ele apresentou para um grupo, uma palestra que apresentará nos EUA, onde mostra toda a sua luta e perseverança, apesar de todos os problemas que passou.

 

O pianista João Carlos Martins teve sua carreira interrompida diversas vezes. Após o primeiro acidente não conseguia movimentar sua mão direita. Lutou muito e com um tratamento conseguiu recuperar os movimentos. Mas entao em um assalto na Bulgária ele volta a perder os movimentos da mão. E desta vez de maneira muito séria. Conseguia ainda movimentar alguns dedos e com uma luva especial conseguiu voltar a ativa... mas por pouco tempo. Ao perder completamente os movimentos da mão direita, não se entregando começou a se apresentar em concertos com a mão esquerda. Fazia transcrições de grandes obras para que pudesse executa-las ao piano, com apenas uma das mãos. Mais tarde, acaba perdendo tb. os movimentos da mão esquerda.

 

O que seria um fim para qualquer pessoa em sua situação, foi para João Carlos Martins um recomeço. Começou a ter aulas de regência e hoje se apresenta com três formações orquestrais criadas por ele : a Bachiana Filarmônica, a Bachiana Chamber e a Bachiana Jovem. Com concertos em todo o pais, já alça vôos no exterior com uma apresentação no inicio do ano no Carnegie Hall de Nova York e programando para 2008 uma turnê nos Estados Unidos.

 

Um verdadeiro exemplo de superação. João Carlos Martins mostra em sua palestra como a perseverança é fundamental para continuar, por maior que seja a adversidade que a vida nos coloca.

 

http://www.joaocarlosmartins.com.br/

Um Barber Magnífico

Liduino Pitombeira

Fui ao concerto que encerra o primeiro semestre da Osesp. Um concerto onde tivemos uma primeira execuçao de uma obra encomendada pela Osesp, O Concerto para Violino de Barber e a Sinfonia no. 02 de Schumann. Uma bela apresentaçao da Orquestra magnifico maestro John Neschling. 

A Peça Coral do Liduino Pitombeira é muito boa... consegue mesclar bem o peso de uma obra sinfônico-coral, com um estilo cancioneiro, encontrando algumas soluções muito criativas que ressaltam texturas e cores pela orquestra. O momento em que o Coro todo esta cantando com a orquestra e então ele pára permanecendo apenas uma voz belíssima de uma soprano do Coro (alias, que voz linda essa moça tem) é muito especial. Da mesma forma o uso da marimba(?) interessantíssimo, ou a forma expressiva com que as cordas se apresentam. O final é muito marcante com um crescendo que atinge um fortíssimo que se cala em seguida para depois apresentar um ultimo suspiro nas cordas... Muito bonito...


Vadim Glusman


O Concerto para violino foi extraordinário... o lirismo de Barber foi ressaltado pela interpretação do excepcional violinista Vadim Gluzman. Muito expressivo, ele fez o seu violino cantar com a Osesp. O conjunto, alias, foi excelente. A integração de Gluzman com a Orquestra foi marcante pela sintonia que havia entre as concepções de interpretação, ressaltando o caráter romântico da obra sem cair no exagero fácil. As dinâmicas e as articulações permitiram uma expressividade extraordinária... De arrepiar o tutti central construído sobre paixão aonde o maestro Neschling e Gluzman vão criando a tensão e a expectativa, num crescendo, que vai sendo represado, ate finamente transbordar em beleza. Outro momento especialíssimo no segundo movimento... o Oboé de Arcádio Minczuk... Lindo... lindo... Um concerto apaixonante...

O Maestro John Neschling

E eu já esperava... Mesmo não gostando da sinfonia de Schumann, a interpretação do Maestro Neschling com a Osesp me faz mudar de opinião... Foi de tirar o fôlego... O primeiro movimento, de uma riqueza de detalhes impressionante, mas sem perder de maneira alguma a fluência da musica, mantendo o que acho tornou a peça mais fascinante, a expressão romântica de Schumann em uma composição que tem um caráter mais clássico. O segundo movimento ficou mais divertido, aquilo que chamo de insistencia Neurastenica em determinado trecho continuava mas com um grau de ironia muito interessante. O adágio que considerei “pouco profundo” ficou maravilhoso.... Pianíssimos de toda orquestra com um cuidado tão grande que mal podia respirar... Foi muito intenso... E o Final arrebatador, como sempre. Levantou o publico com Bravos e muitos aplausos. Não adianta... a Osesp faz com que eu reveja meu conceito sobre obras que eu considerava menor... Imaginava que não teria como me surpreender com essa sinfonia... Estava errado... Foi surpreendente e maravilhoso.

Detalhe... esta sinfonia esta sendo gravada para integrar a caixinha com as Sinfonias de Schumann ....

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Inferno 1911 - Um Classico Renascido

 

 

Dante Alighieri é considerado o maior dos poetas italianos e sem duvida um dos maiores nomes de toda história da literatura. Assim como Shakespeare na Inglaterra e Camões em Portugal, Dante através de seus escritos marca a Literatura de seu pais. A Divina Comédia, se torna a base da Língua Italiana. Descreve a viagem de Dante guiado pelo poeta Virgilio, através do Inferno e do Purgatório e depois, pelo paraíso com sua amada Beatriz.

 

A primeira produção do Inferno está disponível em DVD com uma cópia restaurada e com nova trilha sonora... Na realidade acho que a trilha é tão ruim tao fora do clima que poderia ser esquecida. Poucas vezes vejo novas trilhas bem feitas para clássicos do cinema mudo. Uma das poucas que gostei, foi da versão de restauração alemã de Nosferatu e Gabinete do Dr. Caligari. Outra trilha ótima, feita recentemente, pertence ao Dracula de 1930 com Bela Lugosi que ganhou um excelente acompanhamento sonoro composto por Philip Glass e apresentado pelo Kronos Quartet.

 

 

Ilustraçoes de Inferno de Dante por Gustave Doré

 

Mas voltando ao clássico de 1911, é um filme que merece ser visto pela grandiosidade com que conseguiu transferir para a tela a expressividade que Gustave Doré, grande ilustrador francês do séc. XIX, colocou nas Ilustrações que fez para a Divina Comedia publicada em 1868. Dore, é um artista fenomenal nas Ilustrações. Suas obras são sempre extremamente detalhadas e de imenso impacto.

 

O cineasta Giuseppe de Liguoro, inspirado nas imagens de Doré, consegue transferi-las para as telas de cinema com grande qualidade. A viagem de Dante através do Inferno com Virgilio, atravessa verdadeiros quadros animados, onde o trabalho de maquiagem é realmente magnífico e os efeitos especiais, impressionantes para o ano de 1911 e só foram repetidos com a mesma qualidade no final dos anos 20.

 

 

Cenas do Filme Inferno de 1911

 

Demorou 3 anos para ser concluído e é considerado o filme mais caro de seu tempo e ainda hoje, considerado um dos maiores épicos italianos. O incrível é que o filme estava perdido, tendo sido remontado apenas no final do Séc. XX através de cópias encontradas nos EUA.

 

Um filme que realmente vale a pena ser visto.

Um Bruckner Surpreendente com a Osesp

Foi uma bela tarde de sábado, dia 30 de junho, na Sala Sao Paulo, no Concerto da Osesp... uma tarde que começou de maneira muito despreocupada e tranqüila... Assistiria uma boa apresentação... disso não tinha duvida... mas não esperava nada muito especial... Conhecia o concerto e sabia que não empolgaria tanto. Mas teríamos Bruckner... Mesmo sendo a Segunda, é Bruckner...


Viviane Hagner


Começou o Concerto com o Violino de Viviane Hagner no Concerto de Nielsen... Ela é muito boa... Não tão extraordinária quanto imaginei a principio, mas muito boa. A pequenina violinista tem grande técnica e muita elegância no palco. Executou o concerto como esperava... O primeiro movimento, o mais belo do concerto, em minha opinião, muito incisivo, uma interpretação densa e volumosa... O segundo movimento do Concerto ganhou muito com a arte de Hagner... A interpretação envolvente de grande sensibilidade prendia a atenção. O Ultimo movimento realmente não tem muito como salvar... não gostava dele e continuo não gostando... Nem a interpretação da violinista conseguiu me cativar... O Bis, salvo engano, foi uma das partitas para violino de Bach... Aqui ela foi extraordinária... Pudemos ver intensidade, sensibilidade e virtuosismo... Excelente. Excelente, mas ainda dentro do esperado para aquela tarde de Sábado... Depois do intervalo teríamos Bruckner e eu fui da Platéia Elevada para o Coro, onde poderia acompanhar melhor a apresentação.

Stanislaw Skrowaczewski


Não conhecia o Regente... Quando vi aquele senhor de 85 anos indo para o podium, fiquei pensando em como seria a regência dos 60, 70 minutos de Bruckner... Em conversa anterior com um queridíssimo amigo da orquestra, fiquei sabendo que ele tinha muita energia... Ensaiou a orquestra de pe... Que faz ioga todos os dias... Certamente a apresentação será boa. Essa pelo menos era a minha expectativa.

As cordas começaram o primeiro movimento... Aquela melodia inquietante começou na sala... Muito bonita... as cordas muito bonitas, as madeiras delicadas, principalmente a flauta... Linda. Então após os toques nos tímpanos a primeira pausa longa, inquietante... E o segundo tema começou... Belo, Vibrante... As frases do Oboé, Fagote, Flauta e Clarinete, muito vivas... Depois a seqüência de pausas e frases de madeiras e Trompa... Que som lindo na Trompa.... O senhor que estava no podium se movimentava com muita agilidade... e olhava para os músicos passando autoridade e confiança... Comandou cada detalhe da execução de maneira precisa e clara... Percebia-se a confiança dos músicos, naquele senhor. A intensidade da execução foi crescendo... próximo do final, as pausas quase me faziam parar de respirar, para que eu pudesse perceber o silencio e o som que viria em seguida... A explosão final foi magnífica... brilhante... vibrante...

O segundo movimento, começou mostrando as nossas lindas cordas... que som volumoso e deslumbrante, nos temos em nossa orquestra... O “tic tac” dos pizzicatos emolduraram lindamente as frases que seguiram... Novamente os sons das cordas... não canso de falar pq. não canso de relembrar como foi lindo ouvi-las... Os Cellos com suas dinâmicas carinhosamente controladas pelo regente... Em outro momento os pizzicatos ao fundo com a belíssima trompa do Ozeas... A Orquestra então para pra ouvir a voz cheia de gravidade dos Contrabaixos... Sozinhos... Uma frase muito seria cheia de densidade... e o que veio a seguir foram momentos de magia... ou melhor de transcendência espiritual da orquestra... um crescendo redentor... depois orquestra inteira tocando em pianíssimo... a conversa da Flauta e do Violino... As frases finais das cordas e da Trompa... O regente segurou a orquestra... houve o silencio na sala... a energia ainda estava no ar... então o regente delicadamente nos trouxe a realidade... Eu estava em estado de graça... emocionado e tocado com o que havia ouvido, com a doçura e sensibilidade com que essa musica foi executada...

Observei então o regente fazendo um sinal para os músicos para o próximo movimento... fechava os punhos e levantava os braços com força... com o rosto determinado... Sabia o que viria a seguir... A musica pulsante... cheia de força e energia... Não era um senhor de 85 anos que estava no podium... Tinha a vitalidade de um competente e jovem maestro, regendo um Scherzo cheio de força...

O ultimo movimento encerrou a apresentação com a mesma força e beleza dos anteriores... Sempre que nossos músicos queridos tocavam, não produziam apenas musica... havia uma imensa energia no ar... Percebíamos a força e a emoção que eles colocavam em seus instrumentos. A musica pulsava... Fomos todos arrebatados... e o final cheio brilho fez com que levantássemos e exaltássemos a execução com um caloroso aplauso e gritos de Bravo por toda a Sala... O regente foi aplaudidíssimo, assim como a orquestra... Pediu que os músicos que se destacaram levantassem... Palmas compassadas... O publico estava realmente arrebatado pela musica, então algo que me emocionou ainda mais... Um gesto de carinho imenso dos músicos dedicado a poucos... pouquíssimos mestres que passaram pelo podium da Sala... Batendo os pés no palco, o som que os músicos faziam quase poderia encobrir o das palmas do publico.


Anton Bruckner

Sábado fui a Sala São Paulo esperando uma boa apresentação... apenas isso... No entanto sai da com meu espírito elevado, com aquela sensação plena de prazer por ouvir uma musica tocada com cuidado, sensibilidade e energia... Semelhante ao que foi o Mahler de Eiji Oue ou a Walkure no ano passado... como me disse o Wagner, no final do Concerto... Estará entre os melhores concertos do Semestre e provavelmente do ano.

Bom... Ainda sobre a execução alem da qualidade e intensidade do som uma coisa que adorei foram as pausas... Essa sinfonia esta cheia delas e o regente as ressaltou bastante... Sempre que elas apareciam, prendia a respiração... Foi magnífico... Sobre problemas... Alguma coisinha sim... ocorreu... muito pouco... algumas poucas entradas... Alguns probleminhas nas trompas, mas muito pouco... Praticamente sumiram perante a grandiosidade da execução...

http://www.osesp.art.br/

Wagner Uma Biografia em Video

Assisti ao Filme Wagner. Uma minissérie com Richard Burton fazendo o papel do compositor alemão. Como filme é bastante bastante deficiente. Interpretações fraquíssimas e pouco convincentes, mas acho que vale a pena, pq. ao longo de seus 540 mins. detalha a vida de Richard Wagner quase que precisamente a partir do final de 1840. Os dados sao tao precisos que vc pode pegar a cronologia que existe no inicio do livro de Barry Millington como um indice de capitulos...

Todos os temas são abordados: as infidelidades do compositor, seus romances com senhoras casadas, seu anti-semitismo, as suas composições revolucionarias, a construção de Bayreuth.

O Som no primeiro DVD estava meio ruim, com algum eco. Nos demais estava bem melhor. Filme legendado, mas com os comentários dublados.

Mas como falei... apesar de tudo, vale a pena ver.

http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=15023

Um Villa triste de se ouvir no Municipal

Heitor Villa-Lobos

 

Eu tenho profunda admiração pelos profissionais que trabalham na Orquestra Sinfônica Municipal. São todos excelentes músicos que tem um imenso potencial. Fico muito chateado quando vejo que esse potencial não é usado, ou quando esse quadro magnífico de profissionais é relegado a um segundo plano.

 

Infelizmente é o que parece estar acontecendo com a Orquestra Municipal de São Paulo. Em outros tempos com a direção de Ira Levin, ela alçava vôos magníficos, se tornando rapidamente um conjunto que se apresentava sempre muito bem sendo elogiada a cada programa, apresentando óperas pouco encenadas e repertórios de grande dificuldade, mas sempre executados com competência.

 

Infelizmente não é o que pude ver na apresentação do dia 24 de junho, quando a OSM executou uma daquelas que seria a sua especialidade... Villa Lobos.

 

O concerto começou com a execução da Bachianas Brasileiras no. 04. Se o prelúdio teve uma execução razoável, o que veio a seguir foi um triste espetáculo de desencontros culminando no ultimo movimento, o belo Miudinho, uma execução lenta e desastrosa. Não sou contrário a experimentalismos do regente quanto a andamentos. Mas, acho que se deve fazer isso com a orquestra bem ensaiada. Foi uma pena... muito triste de se ver..

 

Eu tenho profunda admiração pelos profissionais que trabalham na Orquestra Sinfônica Municipal. São todos excelentes músicos que tem um imenso... um gigantesco potencial. Fico muito chateado quando vejo que esse potencial não é usado, ou quando esse quadro magnífico de profissionais é relegado a um segundo plano.

 

Infelizmente é o que parece estar acontecendo com a Orquestra Municipal de São Paulo. Em outros tempos com a direção de Ira Levin, ela alçava vôos magníficos, se tornando rapidamente um conjunto que se apresentava sempre muito bem sendo elogiada a cada programa, apresentando óperas pouco encenadas e repertórios de grande dificuldade, mas sempre executados com competência.

 

O concerto começou com a execução da Bachianas Brasileiras no. 04. Se o prelúdio teve uma execução razoável, o que veio a seguir foi um triste espetáculo de desencontros culminando no ultimo movimento, o belo Miudinho, uma execução lenta e desastrosa. Não sou contrário a experimentalismos do regente quanto a andamentos. Mas, acho que se deve fazer isso com a orquestra bem ensaiada. Foi uma pena... muito triste de se ver..

 

 

Wojciech Kilar

 

Na sequencia veio Exodus do Polones Kilar. Uma peça onde um trecho é repetido a exaustão por diversos instrumentos e formações na orquestra e depois com o Coro. Muita coisa para pouca musica, em minha opinião. Existe mais musica nos primeiros 2 mins. da Bachianas de Villa do que em Exodus inteiro.

 

A terceira peça Allegro para Orquestra do tb. polonês Malecki, foi o melhor da manha. Uma obra bastante simples, bonita com contornos bastante elegantes.

 

O encerramento com o Choros no. 10 do nosso Villa, foi mais uma vez uma interpretação, na minha opinião equivocada, com muitos problemas... Não foi tão ruim quanto a Bachianas no. 04, mas longe... longe... longe... de um Villa digno do Municipal de São Paulo.

 

http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/cultura/theatromunicipal

 

A Italiana em Argel Circense

Gioachino Rossini

Estive na estréia da Opera “A Italiana em Argel” de Rossini, que ganhou ares circenses com a encenação de Hugo Possolo dos Parlapatoes.

Podemos justificar o uso de cenários extremamente simples como uma idéia de unir o Circo a Opera, mas acho que não existe nada que possa justificar os exageros cometidos nesta encenação, mudando o enfoque do texto e da musica para os gestos histriônicos, como se não houvesse comedia suficiente no texto sendo necessário uma careta bastante definida para provocar risos. Algumas soluções de palco muito boas, como a “Mala sem Alça” Elvira, acabaram se perdendo com outras sem nenhuma razão aparente, como um macaco que de maneira incompreensível ficava passeando pelo palco.

Os Destaques vocais ficam para o ótimo Taddeo de Douglas Hahn, o sempre excelente Stephen Bronk e seu Mustafá que conseguiu se sobressair de todo o exagero que lhe foi imposto e a Magnífica Luisa Francesconi, que dominou o palco completamente... E encantou a todos com sua espirituosa Isabela. Ela não só tem uma linda voz, bastante forte e cheia de cor, mas é tb. uma excelente atriz. Muito bom.

A Direção de Jamil Maluf com a Experimental de Repertório foi extremamente equivocada optando por andamentos mais lentos em uma comédia de Rossini. As comédias de Rossini são vibrantes, ágeis, inteligentes, repletas de energia. No entanto a interpretação dada por Jamil Maluf, lenta, sem grande expressividade não conseguiu, em minha opinião refletir essas importantes qualidades que precisam estar presentes em encenações como esta.

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Tokyo String Quartet em boa apresentaçao na Sala Sao Paulo pelo Mozarteum Brasileiro

Foto do Site do Quarteto

 

 

Ouvi no dia 22 de junho ao Tokyo String Quartet, que apesar do nome está sediado em Nova York e da formação original restam Kikuei Ikeda no segundo Violino e Kazuhide Isomura na Viola.

 

Eles dizem que escolheram Nova York como sede pois consideram que o seu trabalho no quarteto é profundamente cosmopolita, com apresentações por todo o mundo. E nenhuma metrópole mais cosmopolita e com mais apoio as artes que nova York.

 

A apresentação foi bastante bonita, embora bem abaixo do esperado sem ser muito ousada, na quinta. Escolheram peças conhecidas de grandes nomes, começando com o Quarteto no. 01 de Haydn e o Quarteto no. 10 de Beethoven. O Haydn recebeu interpretação bastante clara e limpa muito apropriado a elegância dos escritos do compositor.

 

No Beethoven, porém, aquilo que foi uma qualidade em Haydn, formaliza demais a obra do mestre Alemão. Onde se esperaria uma interpretação, não romântica, mas um pouco mais densa do Quarteto “A Harpa”, tivemos uma execução muito distante e formal. O lindo adágio foi tão formal que chegou próximo do burocrático... Realmente não gostei.

 

Tchaikovsky com o seu terceiro quarteto foi o melhor da noite. Bem mais denso teve lindas passagens.

 

 

Foto do Site do Quarteto - O Quarteto Paganini

 

Agora, o que foi realmente incrível nessa apresentação foi a oportunidade de ouvir o som do Quarteto Paganini. O Grupo de instrumentos Stradivarius que foram usados pelo Violinista e que hoje pertencem ao Tokyo String Quartet. A qualidade do som é realmente magnífica com uma amplitude imensa, uma potencia magnífica mesmo nos mais sutis pianíssimos e sem qualquer perda de qualidade ou distorção nos fortíssimos com quase nenhum ataque das cordas. Excepcional.

http://www.tokyoquartet.com/ 

http://www.mozarteum.org.br/content.asp?contentid=121

 

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